Amar, cuidar, rezar e vigiar.

Publicado por Lola Sarmento em Papo de mãe

 

Lendo aqui e ali pelos grupos do Facebook passei por relatos incríveis.

Desde uma mãe de um bebê de dezesseis meses, desesperada sem dormir a tempos numa situação um tanto inusitada com seu filhote:

- “ele me acorda a noite toda, quer mamar, morde forte meus seios, a ponto de estar toda machucada, e passo a noite toda nessa luta. Por favor alguém me ajude. Não sei mais o que fazer.”

E em seguida mais seis mães desesperadas vivendo a mesma situação, pedindo socorro. Ninguém, nem a mediadora do grupo, para lhes dar uma palavra de alento.

Agoniada, fiquei preocupada com essa mãe e esse bebê que precisavam de ajuda urgente. E me surpreendi a pensar que diante daquela situação um tanto quanto esdruxula, onde o amamentar é levado às últimas consequências em alguns grupos de apoio a amamentação, parece não haver um profissional da área medica ou de áreas afins, com um pouco de bom senso que oriente essas mães. Apenas uma porção de links de autores desconhecidos do Google, justificando o dar o peito a qualquer preço. Vejo que muita das orientações que leio para o bebê, o ato de mamar perde o significado.

Passei depois pelo grupo de crianças com problemas escolares, onde o problema de fato não é a criança, mas o sistema escolar, que deve ser repensado, rediscutido. Absurdos acontecem, e a corda arrebenta sempre do lado mais fraco: o da criança.

Até que me deparei com o grupo das mães, onde no momento se encontram preocupadas com a onda de suicídios dos adolescentes.

E depois dessa jornada me ocorreu pensar como é difícil ser mãe e ser pai. 

Quando somos jovens e fazemos planos para ter filhos não temos a dimensão exata de onde estamos nos metendo.

E filosofando um pouco sobre isso acabei chegando a alguns pontos sobre essa empreitada:

- Comprometimento.

- Responsabilidade.

- Dedicação amorosa.

- Abrir mão.

- Adiar sonhos, planos.

Enfim como bem colocou a Rosely Sayão em sua palestra para mães:

- Ter filhos é ter problemas.

- Porque quando penso em pais e seus filhos a primeira coisa que surge é:

- A importância da presença amorosa dos pais desde o início da vida: arma poderosa preventiva de muitos problemas.

- Antigamente se dizia que qualidade supria a quantidade da presença. Hoje já se sabe que não é assim. Criança necessita de qualidade e presença constante.

- O exemplo que se dá aos filhos desde o comecinho.  E aí muitas vezes, implica em mudar de vida, de atitudes, de hábitos, rever valores e outras coisas importantes.

- Os limites amorosos e protetores a serem dados com firmeza, desde sempre.

Penso que ser mãe é uma empreitada, um projeto para resto da vida.

- Implica em responsabilidade amorosa:

0) Priorizar o filhos

1) Noites mal dormidas

2) Abrir mão de algumas coisas

3) Adiar projetos

4) Deixar aquele jantar com os amigos para outro dia.

5) Aquela viagem bacana com o maridão vai ter que esperar

6) Faltar no trabalho – filho doente

7) Acordar cedo no final de semana

8) Viver preocupada, e muitas vezes à beira de um ataque de nervos.

9) Driblar a culpa

10) Os filhos em primeiro lugar.

Ou seja, é ir contra a maré do que pede o mundo atual.

Difícil não é?

Mas ninguém disse que ia ser fácil.

O único instrumento que temos para garantir algo no presente e no futuro para nossos filhos é o amor presente e constante, vigilante.

O amor parental não é egoísta. Ele é responsável.

Vai sempre escolher o bem estar dos filhos antes de pensar em si mesmo.

Principalmente porque sabe que o sacrifício maior é por um tempo.

E esse tempo passa rápido.

O tempo suficiente para o amadurecimento dos filhos.

Até que esses se tornem independentes e possam seguir a própria vida.

 

De Mãe para Mãe:

Amar,

Cuidar,

Rezar e

Vigiar.

 

Até a próxima!

 

Lóla Sarmento

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Lola Sarmento

Lola Sarmento

Trabalho em consultório há mais de 30 anos,com gestantes, mães e seu bebês, adultos, crianças e orientação de pais. Sou formada em psicanálise pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Winnicottiana.

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