BRILHANTE

Publicado por Lulubel em O Mundo de Lulubel

“Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes.

Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta.
Nos perguntamos: “Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível?” Na verdade, quem é você para não ser tudo isso?…Bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você.
E à medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo”.

(Discurso de posse, em 1994)

Nelson Mandela

Ao ler seu primeiro livro, tudo era angustiante e confuso. Palavras eram borrões e se misturavam na dança da esquerda para direita. As linhas cruzavam-se.

Era melhor entrar em um mundo sem linhas, sem regras tão rígidas.  Desenhar era redenção da alma.

Então veio aos 6 anos, o sentido de solidão. O que fazer? Auto justificação ou adequação ? Porém, presumo, isso seria algo complexo para alguém tão pequeno escolher.

Nada caberia a não ser a contestação.  E se desenhar  até a folha esgotar não agradava, então desenhar casas nos moldes com chaminés belas e varais bonitos permitia interagir, mas não era uma escolha e sim uma sobrevivência na dança das linhas flutuantes angustiantes e na dança dos números saborosos e coloridos. Lá só restava o pedido de acalanto pelo materno.

Vermelho portanto não era somente uma cor, mas um sabor, da mais linda forma,  porque  coração e morango são similarmente parecidos no tom e no som.

Quem entenderia algo tão peculiar? Testes ????

- Socorro, alguém poderia  ajudar?

Não houve ajuda. Houve repetição para que a assimilação maciça fosse introduzida dentro dos padrões de uma  fora dos padrões. Um mundo solitário.

Plano B – se não com eles,  melhor com eles.

E por anos a dança foi a valsa vienense, regida conforme mandamentos criteriosos compactados como carne moída, mesmo que por momentos,  aquilo tudo fosse ilógico ou esvoaçante demais para ser entendido, foi consentido.

Por vezes eu pergunto :

“Quem sou eu para ser brilhante? “

Tornei-me.  E fiz das dificuldades de aprendizagem, superação criativa, um exercício de força e crença.

De fato não há nada de brilhante em encolher-se e esperar ser devorado pelas circunstâncias. Há de ser superior, há de ser,  perante as  maiores intempéries que apareçam e transformar o difícil em banal, o impossível em mais um.

Hoje em voz alta, leio textos fantásticos e posso fazer deste espaço um local para que seus filhos, ou para vocês, filhos, que se viram um pouco aqui, encontrem forças para entender o brilhantismo  e genialidade  do seu ser, nas peculiaridades da sua forma de aprender, pois aqui, vos digo, sois brilhantes, por apenas serem quem são.

 

 

 

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Lulubel

Lulubel

Bem, sou a Lú, mãe dos amados pivetes, de três fantásticos amados pivetes. Tento entender um pouco dessa rotina louca de ser mãe, e ainda dar conta de trabalhar, ter uma vida pessoal. Escolhi ser arquiteta, por afinidade, por admiração e por adoração. A minha infância foi dentro de um escritório de arquitetura dentro de casa, com uma imensa prancheta, régua "T"e imensas folhas de papel com madeiras balsa. O apelido Lulubel foi dado quando dei meus primeiros passos no quintal de casa e desde então entre desenhos e arquitetura criei um mundo. Um grande amigo sempre falou que escrevo com sinceridade, com o meu coração, que tenho um jeito de escrever falado e simples e falar sobre meus filhos e do meu mundo é falar sobre o que ocorre comigo, algo sobre sensações que eu tinha da minha infância e percebo neles hoje, em cada pedacinho ao colocar meu olhar, nas nossas aventuras, desventuras porque afinal a melhor parte da vida, sempre foi e é a infância.

Comentários (1)

  • Etania

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    Lindo!

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