Tire as crianças da frente do computador, ou não!

Publicado por Edu Bernardes em Blog, Educar

Não é novidade que o universo digital mudou a forma como interagimos entre nós e com o mundo ao nosso redor. Também não é estranho que ocorram discussões entre pais e educadores sobre quanto tempo devemos permitir que as crianças passem no computador, em diversas tarefas, ou jogando video games.

Nos Estados Unidos, porém, o computador começa a ser um novo aliado na educação infantil. Apoiadas por organizações como a CODE.ORG, escolas públicas de diversas cidades americanas começam a oferecer cursos de introdução à programação de computadores. Esses cursos são voltados para crianças do maternal ao ensino médio e envolvem exercícios que ensinam os conceitos básicos de programação.

Eventos extracurriculares envolvem pais e filhos em exercícios e quebra-cabeças que evoluem para estruturas mais elaboradas sob a forma de jogos. Em um deles, a criança deve “guiar” o Angry Bird até que ele capture o porco, dando-lhe instruções como:

  • Caminhe 10 passos;
  • Vire à direita;
  • Caminhe 5 passos;
  • Capture o porco.

Na medida que a criança evolui no aprendizado, outras instruções básicas de programação são incluídas, como os blocos de repetição (“faça isso até que…”) e os testes de condição (“se tal coisa…, então faça…”). Nenhuma linguagem de programação específica é ensinada às crianças, apenas uma forma divertida de interagirem com a máquina.

Mesmo nos Estados Unidos, a ciência da computação sempre foi tratada como “apenas” mais uma disciplina eletiva e inserida no mesmo grupo da economia doméstica, marcenaria etc. Entretanto, hoje em dia muitos pais começam a considerá-la como fundamental para o mundo moderno e para o futuro.

Alguns educadores entendem que envolver as crianças nesse mundo desde bem cedo tem o potencial de despertar futuros engenheiros, da mesma forma como dissecar um sapo na aula de ciência pode despertar cirurgiões e biólogos. Ainda assim, há preocupação quanto ao envolvimento financeiro de gigantes como Microsoft e Facebook com a iniciativa do CODE.ORG, além da questão do estímulo às crianças em relação a permanecerem diante do computador para estudar programação.

Interesses individuais à parte, parece que é uma iniciativa válida, ao olharmos o panorama do mundo atual e o impacto do desenvolvimento de sistemas em nossa economia.

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