Episódio 1: VOCÊ VAI MORDER A LÍNGUA

Publicado por Sabrina Espinos em Crônicas de uma Mãe de 3, Papo de mãe

 

Já perceberam como é fácil ser mãe quando não se tem filhos?

Tudo é tão simples, se baseia na frase: “Quando eu tiver filho vou fazer…”. E essa afirmação sempre é tão categórica, a gente tem tanta certeza do que está falando…. ai ai ai hoje em dia faz-me rir!

E chega a tão sonhada hora da maternidade… aquele pequeno ser de 40 a 50 cm que faz nosso mundo mudar completamente.

E com esse ser de meio metro, começam as mordidas que, no meu caso nessa altura do campeonato, já praticamente triturei minha língua!

Sempre quis ser mãe. Sempre. E, por isso, as crianças sempre me chamaram a atenção.

Então, passei minha adolescência e juventude as observando despretensiosamente, sem saber o que o destino reservava para mim. E, com essas observações, fiz uma lista de itens que definitivamente foram essenciais para que mordesse minha língua (constantemente….):

1. No restaurante:

Toda vez que ia ao restaurante, observava aquela mãe nervosa, aflita e agoniada olhando os filhos, tentando comer, tentando conversar e tentando disfarçar ao mundo que tinha controle de tudo o que acontecia ao seu redor. E eu olhava, e via um monte de arroz no chão e dizia categoricamente: “Nossa, que mulher porca! Não tá vendo que o filho tá fazendo a maior sujeira?? Que nojo!”

Ha Ha Ha

Adivinhem????

Hoje sou eu que tento manter a mesa limpa, sem restos de comida, tentando controlar o copo de suco para não cair, tentando conversar, tentando não deixar as crianças correrem em volta de todas as mesas dos clientes, tentando manter a classe e, CLARO, tentando mostrar que tenho controle da situação.

Não tenho. Solução???? SEMPRE levar revistinhas e giz de cera para que as crianças tenham o que fazer enquanto eu converso e como ou SEMPRE ir a restaurantes com recreação infantil!

Ah! Como sou esperta!! Problema resolvido! Um a menos!!!

 

2. No banheiro

Quem acreditava que depois dos filhos continuaria a ter privacidade no banheiro?? Há há? Caiu nessa?

Pois é… eu também!

Imagina? JAMAIS admitiria ouvir histórias de que a criança acompanha a mãe em todos os momentos. Digo TODOS mesmo… mais uma mordidinha na língua! Aliás, essa é mordidona! Porque nessa dancei de verde e amarelo.

Banho??? Aquele momento só seu, de relaxamento…. O meu tem sempre dois pares de olhos observando (quando não estão batendo no box me chamando pra fazer alguma coisa). Digo dois pares porque minha filha ainda é bebê…. mas já estou preparada para o próximo ano ter três pares de olhos!!

Solução? Tomar banho quando eles dormem. Simples? Seria se em alguns dias eles não resolvem dormir às 23horas…

Número 2??? Aquele momento que você não divide com ninguém. Com ninguém MESMO! Ahhhhhh, também caiu nessa? Bem vinda ao time!

Eu saio de mansinho, fugida para viver esse momento só meu…. e, de repente… começa o TOC TOC TOC na porta: MAMAAAAAANHEEEEEEEE

Pronto, você se rende aos chamados, abre a porte e lá estão eles! Te olhando com aquele jeito do Gato de Botas do Shrek. Você se rende.

Solução? Meu banheiro hoje tem dois banquinhos azuis (dentro de uma ano terá um rosa pra completar o time) e cada um de um ladinho. E, esse momento só meu, agora é nosso. E, posso confessar? ADOOOOOOOOOOOOORO!

 

3. No Shopping

Quem nunca criticou uma criança birrenta no meio de uma loja????? DU-VI-DO que você nunca presenciou uma cena dessa. Se você presenciou, se sinta privilegiada. Você poderia ser a personagem principal dela.

Pois então, já fui!

Eu olhava e julgava: se a mãe não fazia nada era molenga. Se brigava, era louca.

Cá estou eu com meu depoimento. Sou louca.

A única vez que meu filho fez isso no meio de uma livraria (claro, porque aqui as coisas seeeeempre são mais complicadas que o normal. Ele não fez birra numa loja de brinquedos, fez numa livraria com vááááárias pessoas lendo em silêncio…) eu peguei ele pelo braço (daquele jeito que só mãe sabe pegar onde a criança meio que fica flutuando no ar mexendo as perninhas, sabe?) e o coloquei de castigo atrás do vaso de zamiocuca do corredor do shopping. TODO mundo olhando e me taxando como mãe louca.

Solução? Que se dane o que os outros pensam. O filho é seu e você controla a situação do jeito que acha correta.

No meu caso, deu certo. Nunca mais passei por isso.

Passei por outras, mas conto depois….

 

4. Na Igreja

Você com certeza também já foi à igreja e no meio da sua reza olhava com cara feia aquela criancinha linda que corria no corredor…. não é???

Então…. adivinhem? Aquela criancinha linda era meu filho!

A única vez que tentei, desisti. Levei um monte de lego na ilusão que entreteria meu pequeno e que assim, eu poderia viver com serenidade aquele momento. Não rolou!

Ele não parava quieto. Fiquei nervosa. E o que era pra ser um momento de relaxamento e reflexão se tornou um tormento. Fui embora. Simples assim.

Daí, percebi que nem eu e nem ele tínhamos culpa. Não é ainda interessante pra ele viver aquilo. Mas nem por isso ele não foi introduzido à religião.

Solução? Ensinamos os meninos a rezar todas as noites antes de dormir. Mostramos os ensinamentos com exemplos cotidianos e hoje eles conhecem super a religião, rezam e gostam.

Ainda não tentei de novo… mas prometo que conto na segunda tentativa!

 

5. Na madrugada

Só quem é mãe sabe o que é acordar durante a madrugada para amamentar. Se você não é mãe, você não sabe…imagina. Eu imaginava.

Via minha irmã,durante madrugadas a fio,cansada, exausta, nervosa,chateada e com sono. Muito sono. Via ela reclamar e claro,julgava: ” Nossa, ela vivendo esse momento tão lindo, amamentar seu filho e reclamar??? Que absurdo!!”

Hoje, entendo e adivinhem??? Reclamo também. Reclamo de sono, de cansaço, de exaustão. Afirmando que na próxima madrugada não vou dar o peito, vou dar mamadeira pra bebê dormir mais…

E não o faço. Dou o peito. O dia passa e a gente esquece.

Sim, o momento é lindo. E é mesmo. Eu AMO amamentar.

Mas, de fato é cansativo e desgastante. Mas passa….

Solução? Dar de mamar e reclamar de cansaço. Não é pecado. Você é humana e tem todo direito de ficar cansada. Sim, você tem.

E o tempo passa e a gente esquece das noites acordadas. Mas não esquecemos do momento sublime de alimentar seu filhotinho.

Pode parecer engraçado. Mas viver tudo isso (e outras taaaantas situações que vou contando aos poucos pra não ficar cansativo) me ensinou uma única coisa: NÃO JULGAR!

Não julgar qualquer atitude de qualquer mãe. Porque no fundo, ninguém sabe o que acontece dentro de uma família.

E tem coisa melhor do que viver sua vida livremente? Longe de pré-conceitos? Longe de julgamentos que não levam a nada??

Eu julguei. E muito.

Hoje, sou julgada e, sinceramente, não ligo. Porque aprendi que quem me julga, ou não me entende ou não é mãe.

Porque quem é mãe, entende…

 

 

 

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Sabrina Espinos

Sabrina Espinos

Sou arquiteta, empresária e mãe de três crianças lindas. Adoro contar histórias que acontecem por aqui e no meu blog pessoal http://cronicadeumamaedetres.blogspot.com.br/

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