Eu arrumo para você.

Publicado por Lulubel em O Mundo de Lulubel

— Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando você me deu o mundo para consertar, eu tentei mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem, virei os recortes e comecei a consertar o homem que eu sabia como era.

Quando consegui consertar o homem, virei a folha e vi que havia consertado o mundo.

 

Estamos revoltados, estamos indignados, estamos mal humorados, estamos péssimos, estamos de mal. Estamos muito maus. 

Vemos dores, vemos jovens morrendo de formas estúpidas, vemos tiranos nos tronos, e tentamos a todo custo com discursos enfáticos proclamar :

-          Precisamos fazer algo!!! Como?

 Não fazemos nada…

Escrevemos textos em redes sociais sobre falcatruas políticas. Perdemos tempo, perdemos vida, perdemos razão, perdemos o senso de humanidade, perdemos vida. Crucificamos mitos. Quais são os nossos mitos? 

E diante de tanta revolta, esquecemos que existem pequenas pessoas aos nossos lados, com uma visão tão mais simples, mais resoluta que tudo isso é desnecessário. Para que tanto? 

Por que mamãe? Por que papai você está tão zangado? 

Estou aqui para te amar. 

Estou aqui somente para te amar. Estou aqui para mostrar à você, que o tempo não retrocede a raiva do trânsito, das calúnias, dos reality shows, das novelas pitorescas, da realidade nua, crua que vocês implantaram e talvez eu assimile e aprenda erradamente com isso. 

Estou aqui para dizer que eu, como criança, arrumo o mundo todos os dias, no meu olhar singelo, quando apenas digo que você é a pessoa mais importante do meu mundo e que isso é suficiente para mim. 

Estou aqui para muito mais, para aprender com você a dar grandes passos.   

Não gosto de ver sua ira, me assusto com sua fúria, não quero ver você assim. 

Você para mim é tudo e muito mais, então por favor, eu ajeito o mundo, ao te ajeitar um pouco para mim. 

E não só para aprender o que é certo, como comer à mesa, ou respeitar o colega da escola como na guerra, mas para te ensinar que a guerra não existe se eu  te desenhar com flores e escrever, mesmo que errado, seu nome. 

Por favor, estou aqui para ser o seu mundo, para ser o seu melhor e para que você seja meu melhor. 

Por favor por hoje, coloque-me na cama e deixe  a rede social de lado e fique ao meu lado. 

Diga-me como o Brasil foi conquistado, como as estrelas brilham e escute meu ponto de vista diferente do seu. 

Escute como sou sábio na minha inocência e pense que amanhã pode ser diferente se você pensar diferente.

Pense em mim, pense nos meus desenhos e nas minhas histórias e quando aquele cara for truculento com você,  eu garanto eu terei consertado tudo, porque lá no fundo você estará comigo, nos seus pensamentos e saberá que ele não vale a briga, mas meu sorriso ao te ver, vale meus abraços, vale a mim, por inteiro.

Hoje, mamãe e papai, eu cuido de você. Eu dou um jeito na pia, na geladeira e no fogão e coloco você para dormir nos meus sonhos, nos beijos e abraços e você crescerá para ser quem eu quero ser.

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Lulubel

Bem, sou a Lú, mãe dos amados pivetes, de três fantásticos amados pivetes. Tento entender um pouco dessa rotina louca de ser mãe, e ainda dar conta de trabalhar, ter uma vida pessoal. Escolhi ser arquiteta, por afinidade, por admiração e por adoração. A minha infância foi dentro de um escritório de arquitetura dentro de casa, com uma imensa prancheta, régua "T"e imensas folhas de papel com madeiras balsa. O apelido Lulubel foi dado quando dei meus primeiros passos no quintal de casa e desde então entre desenhos e arquitetura criei um mundo. Um grande amigo sempre falou que escrevo com sinceridade, com o meu coração, que tenho um jeito de escrever falado e simples e falar sobre meus filhos e do meu mundo é falar sobre o que ocorre comigo, algo sobre sensações que eu tinha da minha infância e percebo neles hoje, em cada pedacinho ao colocar meu olhar, nas nossas aventuras, desventuras porque afinal a melhor parte da vida, sempre foi e é a infância.

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