Familia….

Publicado por Lulubel em O Mundo de Lulubel

FAMILIA,

“Vive junto todo dia,
Nunca perde essa mania”…

Música dos Titãs

1977 – Lulubel descobrindo seu novo brinquedinho…

 

“Observa o teu culto a família e cumpre teus deveres para com teu pai, tua mãe e todos os teus parentes. Educa as crianças e não precisarás castigar os homens.” – Pitágoras

 

Lá rua Capote Valente, passei bons anos da minha vida, junto à minha irmã, jabutis inteligentemente enterrados por mim e desenterrados por ela. Verdadeiras aventuras na garagem, que era um depósito de tranqueiras, e de um porão  que nunca entramos, exceto os primos mais velhos.

Melhor que isso, era o sabor do feijão com arroz, e do bife preparado com tanto amor. Impressionante é que o tempo passou, mas os aromas da infância ficaram…. no bife… e no brigadeiro preparado, com manteiga aviação com sal mesmo e chocolate do Frade peneirado e o ponto certo. Jamais alguém fez a junção de sabores com tanto esmero como minha bisavó, a Nathália.

Também tinha minha tia bisavó Ignês, que quando a conversa a aborrecia, tirava o aparelho auditivo. Nos anos 20, ela trabalhou como telefonista . Ela não se casou, e parece que foi por um desatino do cara… já nessa época… “ossos do edifício” … creio que tenha sido isso.

Pilhas de papel eram dadas para fabricar dinheirinho, às vezes, era um Barão de verdade!!!! Nossa, a sensação de que por um momento teríamos o mundo era incrível!!!!

Quando tudo perdia a graça, podíamos brincar no telefone antigo, daqueles que você falava encostando a boca ao aparelho e o fone era solto para colocar ao ouvido.

O andar de cima, dava  muito medo. Lá  tinha referências de um santinho, primo nosso, Antoninho da Rocha Marmo e naquela época, por infelicidade, passou um desses casos sensacionalistas sobre a vida dele, e para piorar, a cama estilo abóboda inglesa , era a mesma da tal série, assim como online casino o busto dele, afinal era sobrinho.  Fazer o que?! Nem pensar em subir lá, até porque tínhamos conjuntamente, eu e minha irmã pesadelos horríveis com aquelas imagens!!!!!!!!!

Sem contar que para fazer o número 1, ou 2 , só restava o banheiro de mármore Nero Marquina bem preto, com ladrilhos verdes. O número 1, era em 1,2,3 e já!!!!

Sempre havia uma outra possibilidade, escapar ! Se o papo ficasse chato, sempre  tinha a casa do tio avô Gustavo. Lá era tudo colorido, a cozinha tinha fórmica caramelo, os azulejos anos 70 todos desenhados.  Dava para cozinhar, picar alhos e bater bons papos com ele e a Maria do Carmo. Eles me que deixavam a vontade e conversávamos sobre tudo. Docemente eu era chamada de “Lulu”, 38 anos depois ainda, quando ele me vê, me chama ainda assim…

Aquela linda casa, estilo colonial inglês, hoje deu lugar à um prédio. É uma pena. Muitas das coisas que vivemos foram embora daquele espaço físico. Outras famílias hoje constroem suas próprias histórias sem se quer imaginar as grandes explosões no porão da Nathália! Afff!!!!!!

Bem, hoje, a família perdeu pessoas preciosas, a própria Nathália, meu pai, tios queridos, a Tia Ignês, mas o Tio Gustavo e Maria do Carmo estão aí, assim como a minha avó, Meu Tio Tuca, primos distantes, minha irmã, mãe e uma nova turminha. Isso é muito bom, porque descobrimos que de alguma forma o quebrar caranguejo e come-los, sobrevive nas nossas raízes, como fazíamos quando pequenos e a turma nova curte muito esse ritual que nos une até hoje!

A família ficou menor, se pensarmos em relação à quantidade de pessoas que foram, mas melhor quanto aos que chegaram para aprender o que é ser família.  Família de verdade e não aquela pró-forma, que apenas honra compromissos sociais para fazer bonito em eventos sociais.

Família, no final das contas é mais que isso; é apoio, é desacordo, afastamento, reaproximação,  novos encontros e desencontros sem retorno, perdas inestimáveis, lembranças de árvores imensas genealógicas,  mas sempre a possibilidade de recomeçar.

Então damos lugar as aventuras dos tempos modernos dos tablets, celulares moderníssimos versus as máquinas de lentes alemãs contadas com preciosismo em que fotos antigas se desfazem como vento  e suas histórias de 40 anos atrás, são contadas por essas pessoas que nos ensinaram a ser assim.

Tudo isso será tão mágico quanto foi lá atrás. Encherá ao coração de todos com o sabor do bife da Nathália misturado com o novo bife do Tio Tuca.

Sabe, será ainda mais legal, porque será um  sabor inédito, no novo sabor dos meus filhos, das minhas sobrinhas e primos e de certa forma, que eles contarão com esse saudosismo que trago aqui quando dizem o “Tio Tuca é muito legal! ”, assim como eu sempre dizia “O Tio Gustavo é muito legal ! “E aí, a vida permanecerá sempre viva, nos doces momentos desse recontar!

2013 – Na casa do Tio Tuca com Rafa, Carol, Paloma e a Victoria

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Lulubel

Lulubel

Bem, sou a Lú, mãe dos amados pivetes, de três fantásticos amados pivetes. Tento entender um pouco dessa rotina louca de ser mãe, e ainda dar conta de trabalhar, ter uma vida pessoal. Escolhi ser arquiteta, por afinidade, por admiração e por adoração. A minha infância foi dentro de um escritório de arquitetura dentro de casa, com uma imensa prancheta, régua "T"e imensas folhas de papel com madeiras balsa. O apelido Lulubel foi dado quando dei meus primeiros passos no quintal de casa e desde então entre desenhos e arquitetura criei um mundo. Um grande amigo sempre falou que escrevo com sinceridade, com o meu coração, que tenho um jeito de escrever falado e simples e falar sobre meus filhos e do meu mundo é falar sobre o que ocorre comigo, algo sobre sensações que eu tinha da minha infância e percebo neles hoje, em cada pedacinho ao colocar meu olhar, nas nossas aventuras, desventuras porque afinal a melhor parte da vida, sempre foi e é a infância.

Comentários (1)

  • Erania

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    Perfeito como sempre, sou sua fã!
    Minha mãe é Lulu até hoje, sempre foi Lulu.

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