Limites- Como ter um pulso firme?

Publicado por Lola Sarmento em Papo de mãe

A criança vem ao mundo, munida de um aparato exploratório de curiosidade. Nada sabe sobre riscos, normas e valores. Apenas tem sede de viver e conhecer o mundo.

No tempo de nossos avós os limites eram bem claros.

-Não se fala na mesa, criança dorme cedo, hora de criança é separada da hora dos adultos. Há brincadeiras de meninas e brincadeiras de meninos. Havia hierarquia entre pais e filhos. Havia respeito. As mães não tinham dificuldades em dar limites. Tudo era muito claro. E talvez muito rígido.

Com o advento da psicologia, as coisas foram mudando e diversas correntes foram orientando os pais a educar seus filhos, desde a liberdade total até a rigidez.

Livros foram escritos como “Liberdade sem medo” seguido em escolas , mas logo abandonados.

Mas para que servem os limites afinal?

Limites servem em primeiro lugar para proteger os nossos filhos e lhes garantir a sobrevivência.

Assim a grosso modo, quando se pensa em bebês, se pensa em horas de sono, alimentação, higiene, e afeto. Isso é básico por toda a vida do ser humano.

Crianças correm riscos reais. Precisam de limites e adultos por perto.

Conforme vão crescendo, os riscos vão aumentando, cair, se machucar, objetos cortantes, tomadas de energia, e assim por diante. Precisamos estar sempre atentos e ensinar- lhes a se proteger. Mais para frente vamos ensinar- lhes o certo e o errado, valores e normas sociais, que favorecem a vida em família, na escola, no clube, na sociedade como um todo. O que vai lhes garantir também a sobrevivência nestas situações.

Os limites servem como moldura para que eles se enquadrem e possam viver minimamente seguros e saudáveis, física e emocionalmente garantidos.

No início alguns limites que garantem, terão que ser delicadamente impostos.

Somente quando a criança for capaz de diferenciar fato de fantasia é que os limites começarão a fazer sentido para elas.

Muitas vezes limites são frustrantes por estarem impedindo ações desejadas, mas são necessários. E cabe a nós frustrá-los. Não é tarefa fácil. Mas é absolutamente necessária. É resultado do amor que temos por nossos filhos, e eles só vão entender esse gesto muito mais tarde.

Até lá se sentirão incompreendidos, tolhidos, injustiçados.

Tanto na infância quanto na adolescência os pais terão que lidar com a onipotência das crianças, comum nestas fases da vida.

-Acham que tem o mundo nas mãos e tudo podem.

- Mas porque a mãe da Maria deixa e você não?

- Todo mundo pode, menos eu?

Muitos argumentos na ponta da língua surgem de imediato para empurrar o limite dado para longe. Tornam-se “experts”.

O “Não” deve ser consistente. Busque sempre um bom motivo para poder sustentá-lo com firmeza e convicção.

O adolescente principalmente costuma encontrar as incoerências nas colocações dos pais.

Seja firme, coerente e amorosa.

De Mãe para Mãe: Dê limites amorosos a seu filho. para que a vida os poupe dos limites severos da dor, da exclusão, da lei e da morte.

Beijos e até a próxima!

 

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Lola Sarmento

Lola Sarmento

Trabalho em consultório há mais de 30 anos,com gestantes, mães e seu bebês, adultos, crianças e orientação de pais. Sou formada em psicanálise pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Winnicottiana.

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