Livro: ACHADOS E PERDIDOS

Publicado por Belise Mofeoli em Literatura

Vou reproduzir aqui a primeira frase do livro de hoje: “Era uma vez um menino que um dia encontrou um pinguim na porta de sua casa.”. Feito isso, declaro que Oliver Jeffers, o autor da obra “Achados e Perdidos”, conseguiu arrancar de mim um sorriso, já com esse início. Sabe quando a gente se reposiciona na cadeira logo que começa uma leitura que, sabe, será prazerosa? Então…

É verdade que eu começaria qualquer leitura que tivesse um pinguim como personagem, de boa vontade. Sou apaixonada por pinguins e peixes-boi. Não, sou apaixonada por animais em geral, mas pinguins e peixes-boi me parecem tão indefesos que me despertam ternura. Em contrapartida, afirmo que fecharia um livro que não me parecesse criativo, por mais que fosse um especial com esses dois animais. Não é o caso de “Achados e Perdidos”. Que livro encantador!

Desenhos modernos com cara de quadrinhos, tons pastéis, um pinguim cabeçudo, e um menino de coração puro protagonizando a narrativa. Esses são os elementos básicos para um entendimento mínimo da graça que é essa obra. Mas, vamos os acontecimentos: o pinguim, como nos mostra a primeira frase do livro, aparece do nada na porta da casa do nosso herói que, fazendo valer o posto de “herói da história”, tenta ajudá-lo. Porque se ele encontrou o animal, sua lógica indica que alguém o perdeu.

É uma graça ver uma criança, mesmo que fictícia, tão preocupada com o bem-estar de outro ser que nem ao menos conhece. Os até então desconhecidos passam por uma aventura juntos que rende, aos dois, uma amizade. E quem nunca teve um amigo que apareceu “do nada” e que depois se tornou tão especial? Comigo já aconteceu. É uma boboca oriental chamada Adriana que um dia me deu uma carona – depois de seis meses estudando juntas sem nunca termos trocado uma única palavra – e soltou um: “Ei, quer ser minha amiga?”.

Sentimentos bons, pessoas novas, situações aleatórias, resultados surpreendentes. Tudo faz parte da vida desde que estejamos dispostos a nos abrirmos para ela. E o medo que sentimos do inusitado tem fundamento nessa sociedade de momentos caóticos, mas não alienemos nossas crianças! Menos ainda a pureza infantil que nos habita. “Achados e Perdidos” é um grande achado e de uma pureza… que não merece ser perdida.

 

Abram-se! E até o próximo livro.

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Belise Mofeoli

Belise Mofeoli

Quando a Valeria Guerra me convidou para dar dicas de livros infantis, eu parei, pensei e disse: “Pode ser algo menos careta, como um bate-papo com os pais?” Porque se não fosse, assim, não haveria grandes motivos para esta coluna existir. O que eu queria é discutir literatura infantil de qualidade partindo do ponto de vista da criança que fui. Resolvi botar a pequena Belise no colo e cuidar dela, sabe? Aí ela começou a tomar conta de mim e a me explicar o efeito que cada história fez/faz nela, e que me transformou em alguém que vive da escrita. Depois de tanto pensar e rascunhar possíveis nomes, ao batizar esta coluna de “Grandes Livrinhos que (Re)li”, senti que ia me divertir muito a escrevendo. Tem livros muito bons sendo escritos hoje em dia, contudo, não resistirei a falar também dos mais antigos, que vêm fazendo parte da infância de várias gerações. Afinal, que posso eu fazer se os clássicos são... “clássicos”? Belise Mofeoli é Roteirista, Redatora Publicitária, Roteirista de Audiodescrição.

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