Mentes Criativas

Publicado por walterolivas em As histórias do papai

Você já deve ter assistido a aquele filme bem legal, que o mocinho coloca a mão no queixo, olha para o céu e imagina outro lugar, outra época, e as cenas viajam pelo passado, e te ajudam a entender o filme ou o que o mocinho está pensando.  Isso se chama flashback, um recurso bem bolado para contar histórias, não é?

O flashback não é só um recurso dos filmes não. Antes de ser usado nos filmes, ele já é parte integrante de sua memória. Durante o dia, o seu cérebro realiza milhões de flashback para te ajudar a decidir, entender, aprender e tantas outras coisas que você precisa fazer durante o seu dia.

Algumas pessoas tem o Flashback ligado o dia inteiro, são os imaginativos como costumamos chama-los. Outros nem tanto. Mas, se o recurso está presente em todos nós, porque uns usam menos e outros usam mais? Treino. E treino que vem desde pequenininho, desde quando ainda éramos crianças. O treino para usar este recurso já foi tão intenso que nós tínhamos amigos invisíveis, cenários incríveis que só nós víamos, e tantas outras coisas que imaginávamos com tanta intensidade que parecia até real.

Todo contador de história, ainda tem lembrança desta época de treino e com a apuradíssima sensibilidade, consegue não só vivenciar a história como também transmitir para os outros o que está vendo ou sentindo.

Ao contar uma história para seus filhos, se você apenas ler a história, talvez ela não fique tão interessante para a criança quanto aquelas histórias em que o pai ou a mãe vivenciam o que estão lendo.  Entenda bem, contar histórias não é apenas LER HISTÓRIAS, é muito mais que isso:  é estar em uma floresta, sentir a relva, sentir o sol, ouvir o barulho das folhas, ouvir os pássaros, e até caminhar, correr e conversar com os personagens da história. É fantástico quando nós conseguimos fazer isso. Ao terminar, fica um gostinho de quero mais na boca de quem conta a história e no ouvido de quem a ouviu.

A ação é sensibilizada pelo contador e transferida para o ouvinte. Creiam, seus filhos vão também caminhar pela floresta e ouvir o canto dos pássaros.

Minha experiência com este assunto é bem interessante. Uma vez, eu estava em um almoço de família e na mesa, três meninas entre 4 e 6 anos de idade, minha sobrinhas muito sapecas, falavam sem parar, e eu percebi que alguns adultos já estavam começando a se incomodar – coisas de adulto.

Sentado, abaixei a cabeça para debaixo da mesa e comecei a conversar com um personagem fictício, um duende. Eu fui tão convincente que até o Yure, um cãozinho da raça York me olhava espantado pensando assim: Esse cara pirou de vez.

O silencio tomou conta da mesa e percebi, por baixo da mesa, que alguns adultos arriscaram a olhar com quem eu falava e foram seguidos pelas meninas.

Meu colóquio foi bem interessante, e durou alguns minutos. Quando eu voltei para minha posição original, todos olhavam para mim.  Não demorou e a Lívia, minha sobrinha, me perguntou, pensando igual ao Yure: — Tio, com quem você estava falando?

— Com o duende do fundo da mesa.  Ele estava me contando que está somente esperando vocês comerem tudo e limparem seus pratos para ele poder ler nos pratos vazios quem irá casar com o príncipe do Reino do Vaso Encantado. Claro que todos riram de mim, inclusive os adultos, mas, durante o almoço, pude perceber as três falando bem baixinho e, ora uma, ora outra, olhavam para debaixo da mesa.

Acabado o almoço, todos se levantaram e a mesa estava para ser retirada. As três correram até mim e pediram para que os pratos delas fossem deixados na mesa para dar tempo para o duende ler. E depois?

— Tio, vai lá perguntar?

— Perguntar o quê?

— Quem vai casar com o príncipe.

Criança adora participar da imaginação dos adultos.

Na época que eu tive meu treino de FlashBack, me lembro que meu pai e minha mãe participaram comigo desta fase da vida  e com o meu pai, eu viajei na imaginação. Meu pai nunca duvidou de meu amigo invisível, apenas nos colocava para dormir na hora certa. Ele me mostrava lugares, pessoas, e as coisas que aconteceram com ele ou com outras pessoas, usando apenas as histórias que me contava e, em muitas ocasiões, eu vivenciei estes locais. Já como adulto e pude ver meu pai, no passado, nestes locais que ele tinha me contado em histórias, um gostoso flashback guardado na memória.

Deve ser por este motivo que eu adoro conhecer os locais onde existem histórias interessantes, e neles, basta colocar a mão no queixo, olhar para o céu e reviver os momentos.

Treine seu filho para ser um leitor ou contador de histórias criativo.

Então, suas histórias tem o gostinho de quero mais?

Até a próxima semana!

Walter Olivas, MyHeritage.com Brasil e Portugal

Trackback

walterolivas

Walter Olivas - Country Manager de MyHeritage para o Brasil e Portugal - Marketing Team, blogueiro, designer, publicitário, genealogista, pai de 4 filhos e avô de plantão de 2 netos e 6 sobrinhos-netos. Redator do blog.myheritage.com.br

Comentários (2)

  • Maria Angela Canella Olivas

    |

    Parabéns,achei sensacional,sinto-me orgulhosa de você e que leva não só as crianças mas também os adultos no mundo da imaginação,numa leitura simples,sadia e bastante educacional.

    Responder

  • Lilia Vilarinho

    |

    Quando, ao contar histórias vivenciamos com as crianças, abrimos portas para a imaginação e isso é fantástico. É indescritível a satisfação com que nos deparamos, porque o tempo deixa de existir, nesse momento, temos interesse pelas descobertas, pelas sensações, pelo mistério, pelo inesperado, náo existe um limite de idade, somos companheiros.Isso aprendi ouvindo histórias, quando pequena , me fez adulta e acabei embarcando num mundo. Adorei o que foi imaginário e criativo do fazer teatral. Adorei a publicação.

    Responder

Comente