O Castigo

Publicado por Lola Sarmento em Papo de mãe

 - Devemos castigar uma criança aos 2 anos de idade?

Vi essa pergunta circulando pela Internet, e fiquei pensando na resposta, e me perguntei para quem serviria o castigo.

A criança a partir dos seis meses de idade se tudo correr bem vai iniciar o processo de separar-se da mãe e passará a preocupar- se com ela e tornar-se responsável, pelos atos hostis e agressivos que tem para com ela e as coisas da mãe. Até o final do primeiro ano, se tornará uma unidade separada e responsável nesse sentido por si e pelos seus pequenos atos.

Saberá ou terá algumas noções de certo e errado com relação a sua mãe, o que vai se ampliando até os dois anos.

Esse é o projeto do adulto responsável que virá a ser.

Se isto não aconteceu, é porque algo não correu bem e temos aqui o início de uma patologia que deve ser cuidada.

Assim fica o alerta para o castigo.

-Estamos castigando uma criança saudável?

-Será melhor verificar o que acontece com ela?

-Onde ocorreu a falha?

- Qual necessidade ficou insatisfeita?

Estamos diante do retrocesso na forma de educar nossos filhos.

A criança não tem o raciocínio do adulto, principalmente nessa idade em que nem faz uma frase por inteiro ainda.

Castigar, punir, numa idade em que isso não faz o menor sentido para a criança, onde ela ainda não tem amadurecimento emocional para o controle de suas emoções.

Vemos mais uma vez o educar pela dor. Pelo estímulo e resposta.

-Mais fácil para os pais que sentem que cumpriram com sua obrigação. Mas sem o menor nexo para os pequenos.

Castigar é retaliar e a retaliação é mostrar a seu filho que você é feito de cristal, que não suporta, não tem sustentação para os pequenos erros de uma criança de dois anos. O que será dele na adolescência, ou quando realmente precisar contar com você?

O que fica para a criança é o sentido da incompreensão e do desamor dos pais, que não dão conta dela.

Para ensinar é preciso repetir muitas vezes a mesma coisa. Até que passe a fazer parte deles.

 

De Mãe para Mãe: Para ser mãe é preciso ter estofo.

Até a próxima semana,

Um beijo da Lóla

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Lola Sarmento

Lola Sarmento

Trabalho em consultório há mais de 30 anos,com gestantes, mães e seu bebês, adultos, crianças e orientação de pais. Sou formada em psicanálise pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Winnicottiana.

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