O dia da Consciência negra:

Publicado por Lola Sarmento em Papo de mãe

Lembro- me do dia em que entrei num consultório de ortopedia lotado com meu filho de pouco mais de dois anos, que iria tirar o gesso de seu braço. Depois de ele inspecionar tudo e todos ele me solta em alto e bom som:

- Mãe porque ele não tem perna?

Quis que o chão abrisse e eu caísse lá dentro. Mas criança fala mesmo, não é?

Recuperada do golpe e do vermelhão que me subiu ao rosto atraí meu pequeno para perto de mim e procurei explicar a ele de forma que  entendesse na sua tenra idade o que poderia ter acontecido com o cidadão em questão.

E assim vamos percebendo que temos que ensinar nossos  filhos a lidar com os nossos iguais que aos olhos deles não parecem assim. Porque aos olhos da criança não são mesmo: no jeito, na cor, na altura, nas características e não há quem os convença que são iguais. Para a criança o que vale é o que ela vê no concreto. A abstração virá com o tempo e o amadurecimento.

E aí o jeito é começar com os exemplos que eles vão dar atenção. As histórias que eles tanto gostam de ouvir podem ser de grande ajuda.  Onde o personagem central é aquele que queremos que eles percebam que são iguais a nós apesar de parecerem diferentes. Onde o personagem possa ser admirado por eles. Há também filmes onde os heróis possam ser descobertos por eles como pessoas  a serem admiradas.

Em geral explicações na linguagem que eles compreendam podem ajudar, mas com histórias ou filmes, ou exemplos de pessoas que eles conhecem fica bem mais fácil.

Assim poderemos falar para eles da consciência negra. Dessas pessoas tão legais que são iguais a nós e que foram e ainda são tão destratadas nos dias de hoje. Quem sabe tão perto deles tenha alguém afro- descendente de quem eles gostem e que lhes facilite entender do que é que se está falando.

Para os mais velhos, já em idade para mais informações vale um breve “tour” pela época da escravidão, passando pelas fases todas, sem muitas delongas para que eles não se cansem. Sempre de uma forma lúdica e divertida.

É importante também não esquecer que os exemplos são aprendidos em casa. Assim se damos bons exemplos nesse sentido, terão mais força do que qualquer explicação.

Se falarmos mal, ou destratarmos, e depois vamos explicar sobre igualdade, e que devemos ter respeito, não terá qualquer efeito.

Assim de Mãe para Mãe fiquem atentas ao que falam e como agem para que o que ensinam alcance o objetivo desejado.

Um beijo e até a próxima!

Lóla Sarmento

Conheça mais sobre o trabalho da Lóla Sarmento em: www.facebook.com/groups/pscodivalolasarmento/

Tags:

Trackback

Lola Sarmento

Lola Sarmento

Trabalho em consultório há mais de 30 anos,com gestantes, mães e seu bebês, adultos, crianças e orientação de pais. Sou formada em psicanálise pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Winnicottiana.

Comentários (1)

Comente