Precisamos falar sobre QUEM?

Publicado por Lulubel em O Mundo de Lulubel

 

Papai trabalha o dia todo

E chega tarde em casa de novo, é, chega tarde em casa

E me traz uma surpresa

Pois o jantar está na cozinha e embrulhado em gelo

Eu esperei muito tempo

É, a agilidade da minha mão agora puxa gatilhos

Eu discuto com o meu cigarro

E digo que o seu cabelo está com tudo, você deve ter perdido o juízo

Todas as outras crianças com sapatos caros

É melhor vocês correrem, correrem mais rápido que a minha arma

Todas as outras crianças com sapatos caros

É melhor vocês correrem, correrem mais rápido que a minha bala.

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Temos aqui pedido a revisão da maioridade penal.  A cada dia temos mais crianças armadas, crianças usadas para cometer crimes, crianças que nem mais crianças são. Crianças com olhar amargo e frio.  Qual é o lar dessas crianças?

Será que uma delas mora conosco?

Esse tema remete à um livro: “We Need to Talk About Kevin”, em que a trama começa com uma mulher de vida social intensa junto ao marido, Eva Katchadourian.  Na verdade nunca ela quis ser mãe e nem muito menos a mãe de um garoto que matou sete de seus colegas de escola, uma professora e um servente de uma escola dos subúrbios classe A de Nova York.

Bem, parte do livro narra a assombração em que ela se via ao espelho grávida até a parada no centro urbano de NY, diante de uma britadeira para silenciar o choro incessante do  bebê. Para ela ter um filho era algo fora do que ela tinha como normal.

Um livro forte sem dúvidas, porque depois da chacina, ela começa a relatar através de cartas, toda a percepção que tinha do garoto e do que ela já percebia de errado nele, ao pai ausente. O pai nada percebia. Com o pai, o menino era dócil, acessível.

Obviamente vocês perguntarão: “E o que isso tem a ver com o tema que você propõem aqui? “

Pois digo à vocês –  Tudo.  Alguns casos de violências cometidos por crianças começam no lar, começa na ausência de afeto. Na falta de infra que o governo nunca se propôs a dar. Como saber o que é afeto sem ter recebido afeto? Como saber o que é correto sem ter recebido bases de educação em escola séria, mesmo que pública? E daí se for pública????

Criminosos usam crianças como escudos para seus crimes. Com essa estupidez de diminuir a maioridade legal, usaram crianças ainda menores. O problema é de base, minha gente! Não das crianças, que absorvem seu entorno.

Esse sentimento, torna-se indiferente quando a vida é cercada pela própria dureza que à cerca, pela falta de recursos sociais, financeiros, educacionais, afetivos, pela falta efetiva de uma família, de um governo sério.

Há os casos em que a violência é uma doença…darrr…todos sabem, mas a violência praticada que temos visto, começa lá naquele farol em que crianças vendem bala, repassam o dinheiro ao pai ou mãe para que bebam ou consumam drogas e nada sobra para alimentação, para educação, para a sobrevivência mínima daquilo que seria um lar.

Então entra, a dita ambivalência de certas mulheres e homens diante da sua funções familiares e sua influência e responsabilidade na criação de futuros pequenos monstros.

Temos os pais que tudo dão.  Sim! Oferecem carros, bens materiais.

O maior bem; aquele do casino online colocar na cama para dormir, conversar e escutar, amar simplesmente não é dado. Vira o que? Monstro que atropela e joga no rio, braço ou que atropela e papai paga…

A pena da justiça, deveria ser nossa, pois aqui está o retrato de uma sociedade ligada ao consumo –  se não posso lhe dar meu filho o  Iphonix, você será segregado, seu valor é esse, não ser segregado pelo seu poder aquisitivo.  Qual o valor maior, o valor da conquista do Iphonix , comprado com suor e dito :  É seu fruto do meu esforço ou eu tenho?

Vamos mudar um pouco o discurso – maioridade legal?

Nem os caras que deveriam estar presos estão, como pedir que crianças paguem pelas nossas ausências? O erro é nosso de deixar nossos filhos enterrados nos games Call of Duty da vida ou GTAs ou ir em baladas tão novos com o propósito errado.

São crianças e precisam ser primeiro ser crianças. Depois serão adultos. Por que antecipar? Porque temos raiva do moleque da casa que matou? Isso resolve o que???

Instigamos ao xingar o cara que nos fechou na rua, à violência verbal e a pouca tolerância e agora estamos reivindicando maioridade legal???

Maioridade intelectual a nós e quem sabe retroceder um pouco aquele tempo em que nós sobrevivemos sim, sem celulares, sem tablets e tentar apenas ensinar aos nossos filhos o básico, o comum.

Poder chegar em casa e abraçar um pouco os filhos e escutar o que eles tem a nos dizer. Suas angústias, suas conquistas e falar quando não está legal ou quando está bom demais.

Aqui não proponho: “Proíbam tudo !” Os extremos e os rígidos quebram com suas severidades, mas ao ser flexíveis, podemos andar melhor na corda bamba da vida e orientar melhor os caminhos tortuosos que teremos no prosseguir.

Precisamos conversar sobre nossos filhos, ao invés de torná-los ainda mais adultos, para um mundo tão cruel que criamos.

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Lulubel

Lulubel

Bem, sou a Lú, mãe dos amados pivetes, de três fantásticos amados pivetes. Tento entender um pouco dessa rotina louca de ser mãe, e ainda dar conta de trabalhar, ter uma vida pessoal. Escolhi ser arquiteta, por afinidade, por admiração e por adoração. A minha infância foi dentro de um escritório de arquitetura dentro de casa, com uma imensa prancheta, régua "T"e imensas folhas de papel com madeiras balsa. O apelido Lulubel foi dado quando dei meus primeiros passos no quintal de casa e desde então entre desenhos e arquitetura criei um mundo. Um grande amigo sempre falou que escrevo com sinceridade, com o meu coração, que tenho um jeito de escrever falado e simples e falar sobre meus filhos e do meu mundo é falar sobre o que ocorre comigo, algo sobre sensações que eu tinha da minha infância e percebo neles hoje, em cada pedacinho ao colocar meu olhar, nas nossas aventuras, desventuras porque afinal a melhor parte da vida, sempre foi e é a infância.

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