São muitas histórias… muita vida, muito amor!

Publicado por Valéria Guerra em Papo de mãe

As melhores histórias passam de geração em geração como grandes ensinamentos que passam de mãe, para filho. Outras se perdem com o tempo, pois trazem lembranças tristes…

Algumas dessas histórias, vividas, guardo em minha memória. São os momentos que vivi com meus avós.  Outras são lembradas carinhosamente pela minha mãe, que hoje também é avó e que conta para as minhas filhas como verdadeiras relíquias.

Da Dona Trini, a minha avó materna, guardo seu cheiro de rosas, sua elegância e sua deliciosa vaidade. Dela também guardo o orgulho ter sido a primeira Engenheira formada na Espanha, em uma época onde as mulheres não tinham o direito de estudar. Isso aconteceu no início do século 20.

Ela viveu guerras, e teve o dissabor de perder tudo o que tinha de mais precioso em termos materiais. Ela me ensinou que mesmo nos piores momentos da vida, a gente não devia esquecer nunca as nossas origens e jamais perder a dignidade! Nosso bem mais precioso. Bens materiais podem ser recuperados, mas se você perder a sua dignidade, você perdeu tudo, pois a dignidade jamais será recuperada!

Do seu Ramon, meu avô materno, ganhei outro ensinamento: o respeito aos mais velhos. Ele fazia absoluta questão de ser durão, e jamais permitia o desrespeito.  Dele ganhei um ensinamento valioso: a vida se constrói com trabalho duro.  Ele trabalhou até os 80 anos, como engenheiro mecânico. Juntos, meus avós, me ensinaram cultura: a ouvir música clássica e apreciar Beethoven, Chopin, Vivaldi, Tchaikovsky, Strauss, Mozart . Meu avô sempre cantarolava Scheherazade.  Com eles aprendi o significado de “felizes até que a morte os separe”. É bem verdade, que meu avô, às vezes fazia um verdadeiro inferno da vida da minha avó. Nem sempre ela concordava com ele, mas por uma questão de espirito corporativo ela deixava passar, na frente dos outros e depois… Misteriosamente meu avô revia algumas de suas posições.

Quando eu era menina, dizia orgulhosa que quando crescesse queria ser igualzinha à minha avó. Ficava orgulhosa quando diziam que a gente era parecida! Em alguma época isso talvez tenha sido verdade, pois quando a minha avó se foi, meu avô não queria me ver!

Hoje vejo muito da minha mãe na minha querida avó. Ela é bem parecida com ela e com ele também! Perfeitamente imperfeita… como eles!

Dos meus avôs paternos também trago grandes momentos. Meu avô Martins me ensinou a raciocinar. Aprendi matemática, a nadar e principalmente a discernir o certo e o errado. Com propriedade, ele fazia críticas à política, a economia, enfim a vida… Isso em uma época onde estas falas tinham efeitos terríveis na vida das pessoas – isso foi nos idos de 80, onde no Brasil existia o regime militar.  De acordo com o meu pai, ele era um cara controverso. Aliás como meu pai também foi.

A minha avó Maria, ensinou o amor pela vida. Ela é uma guerreira de verdade. Com pouca instrução, e pouquíssimas condições de vida, ela criou, a sua maneira 5 meninos. Ainda hoje, ela luta pela vida. Com garra! Mesmo com a saúde debilitada, ela insiste em viver!  Ela também me ensinou vontade de conhecer o mundo.  Ela adorava viajar!

Graças a eles, meus pais se tornaram pais maravilhosos e os melhores avós do mundo!

Hoje, as minhas filhas tem o privilégio da convivência com a minha mãe … Elas são mimadas e educadas pela minha mãe.  Minha mãe, ensina as minhas filhas o amor a família, a valorizar a as pequenas coisas da vida. Ela ensina que o os detalhes fazem toda a diferença.  Elas também passaram ótimos momentos com o meu pai.

É!! Tudo isso se transmite de geração para geração! Estas lembranças, fazem parte da construção de cada um de nós. Cada um à sua maneira!

Quando eu for avó, quero ser um pouquinho de cada um.

Como diz uma querida amiga, os avós são pais e mães pela segunda vez, mas com muito açúcar, com muita experiência e cheias de histórias maravilhosas para contar!

Obrigada por existirem vovós e vovôs!!! Parabéns pelo seu dia!

Para comemorar este dia: Bolero de Ravel

Um beijo

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Valéria Guerra

Valéria Guerra

Olá, meu nome é Valeria, sou a fundadora da Cuca Maluca. Paulistana, com descendência Espanhola, sou Administradora de Empresas, Mestre em Comunicação Contemporânea e Professora Universitária. Também sou a mãe da Paloma e da Isabela e esposa e do João! Como eu me defino? Sou inspirada, alegre e feliz e acredito que a vida deve ser colorida e feliz!

Comentários (1)

  • lulubel

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    O que dizer? Tem uma musiquinha que nosso pai deixou a nós do Cat Stevens chamada Father and Son que fala sobre essa relação de pais e filhos. Ela fala sobre o tempo de viver com sabedoria, e a resposta dos filhos que é hora de partir ao mundo. É uma canção que sempre se repete. Serve para os avôs.

    Na verdade há um momento que os odiosos velhinhos voltam a ser nossos filhos, é bom!

    Os queridos avôs que se foram, inegavelmente deixaram marcas boas do que é viver intensamente. Nossos pais, que foram e são avôs passam essa doce lição, não tão severos nessa arte de educar ao mundo, mas com toda a doçura que cabe a eles, porque sempre é tempo de viver.

    A eles, avôs que partiram, pais que ficaram todo meu amor e dos amados pivetes queridos!

    Beijos

    Lulubel

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