tente mais uma vez

Publicado por Lulubel em Papo de mãe

Lulubel no colo da mamy – 1974

Pequinina, me diga a verdade

Eu sou o ombro em que você pode chorar

Sua melhor amiga

Eu sou a única em que você pode confiar

Você estava sempre tão segura de si mesma

Agora vejo que você perdeu o senso de humor

Eu espero

Que possamos reconstruí-lo juntas

 

Pequenina, você e eu sabemos

Como as dores do coração vêm e vão

E as cicatrizes que eles estão deixando

Você estará dançando mais uma vez

E a dor terminará

Você não terá tempo para o luto

Pequenina, você e eu choramos

Mas o sol ainda está no céu e brilhando sobre você

Me deixe te ouvir cantar mais uma vez

Como você fez antes

Cante uma nova canção, pequenina

Tente mais uma vez

Como você fez antes

Cante uma nova canção, pequenina

 

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Somente uma espanhola nos anos 80, poderia cantar Chiquitita de ABBA para sua filhota. Difícil ser mãe de algo tão peculiar como eu, que sofria tanto por ser diferente, mas lá nessa musiquinha, sempre houve uma lição para toda essa minha vida – TENTE MAIS UMA VEZ.

É isso Dona Maykar que venho fazendo a quase 39 anos, como você ensinou-me, TENTE MAIS UMA VEZ, de uma forma diferente, pensando e recriando. Eu sei que você odeia ver minhas lágrimas ou a  tristeza nos meus olhos, mas sei que tem a certeza que é necessária tal forma, para que eu me fortaleça na fragilidade do meu ser.

Dessa vez, eu tento ser um pouco da mãe que você é todos os dias. Tento seguir a sua sabedoria, com meus filhos, mas erro invariavelmente, porque parte de ser isso, mãe, é ser errada para poder ver o resultado certo. Há vezes, que o experimento dá resultados fantásticos e outras que não. Somente a tolerância e a maturidade, ensinam que é necessário relevar. Faz parte do processo do crescer, certo?

Acabo por não ser somente mãe deles, dos amados pivetes, mas de tantas pessoas, de amigos, de simples pessoas. Pessoas amadas, pessoas à quem estendo a mão e ensino : TENTE MAIS UMA VEZ  da mesma forma que aprendi com você.

Sabe mãe, às vezes choro, porque o TENTE MAIS UMA VEZ, faz com que tenhamos que nos rever o tempo todo, rever conceitos, rever preconceitos, rever defeitos, revisar o projeto e descobrir que há outras alternativas e doí muito e com 70 anos, hoje, você não pode mais me carregar no colo, para quando canso ou para quando as coisas estão pesadas demais, só em seu coração. Nesses momentos é o mais sábio a fazer com nossos filhos, levá-los no peito.

Hoje, mãe, sou a mulher que dá o colo,  leva no peito, não tão segura, mas que dá o acalanto, o amor, vai de mão dada, firme, diz o não e  ensina a atravessar as ruas da vida, olhando para os lados, ensinando a prudência e a cautela, essenciais para os próximos passos a serem dados. Sou a melhor amiga de todos meus filhos, gerados no meu ventre, gerados na base das nossas confissões,  gerados nos poucos e bons, do que muitos e ruins, gerados em um centímetro de amizade que vale o peso do nome “MÃE”. Sou aquela em que se pode confiar, para levantar e dizer : TENTE MAIS UMA VEZ.

É, mãe, acho que peguei o espírito da coisa toda, de ser sua Pequenina. É cantar uma nova canção e ver que o céu brilha sobre você, sobre nós e sobre todos que amamos e tantas vezes o céu nubla, mas para isso : TENTE MAIS UMA VEZ, SEMPRE.

Amor

Lulubel

 

 

 

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Lulubel

Lulubel

Bem, sou a Lú, mãe dos amados pivetes, de três fantásticos amados pivetes. Tento entender um pouco dessa rotina louca de ser mãe, e ainda dar conta de trabalhar, ter uma vida pessoal. Escolhi ser arquiteta, por afinidade, por admiração e por adoração. A minha infância foi dentro de um escritório de arquitetura dentro de casa, com uma imensa prancheta, régua "T"e imensas folhas de papel com madeiras balsa. O apelido Lulubel foi dado quando dei meus primeiros passos no quintal de casa e desde então entre desenhos e arquitetura criei um mundo. Um grande amigo sempre falou que escrevo com sinceridade, com o meu coração, que tenho um jeito de escrever falado e simples e falar sobre meus filhos e do meu mundo é falar sobre o que ocorre comigo, algo sobre sensações que eu tinha da minha infância e percebo neles hoje, em cada pedacinho ao colocar meu olhar, nas nossas aventuras, desventuras porque afinal a melhor parte da vida, sempre foi e é a infância.

Comentários (2)

  • Lola Sarmento

    Lola Sarmento

    |

    Você se superou. Foi magnífica! Como sempre.

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    • lulubel

      |

      foi mais uma vez a minha percepção….<3

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