Projeto Herói

Publicado por walterolivas em As histórias do papai

Você já viu como as crianças ficam de olhinhos estalados diante da televisão quando aparece algum herói deles?

Ainda pequenininhos, e bem pequenininhos, é a Galinha Pintadinha, Patati e Patatá, e alguns outros que encantam a imaginação das crianças.

Vão crescendo as crianças e os heróis vão mudando, vão assumindo mais relações com a personalidade em formação das crianças e atendendo a necessidade de cada um na busca do Eu Familiar.

O Eu Familiar é percebido quando as crianças começam a definir seus espaços dentro da família e a exemplo dos demais familiares, inicia-se o processo de separação pessoal ou da busca do “Eu sou assim”, diferente do papai e da mamãe, dos irmãozinhos, etc.

Todos nós passamos por isso, é natural e hoje já existem diversos trabalhos científicos a respeito.

Aquela ideia de que herói é para toda a vida, não se aplica aos pequeninos até os 11 ou 12 anos. Vários destes heróis deixarão de serem heróis com muita facilidade.

É claro que o papai e a mamãe sempre serão heróis para a criança durante toda a vida. Os Heróis do Amor, o papai e a mamãe, tem Super Poder Especial mesmo que existam os outros heróis que agucem o imaginário infantil.

Meninos e meninas farão suas escolhas pelos mais variados motivos.

Vamos lá, me ajudem a lembrar de alguns deles — Homem Aranha, Batman, Super Homem e …

A maioria destes heróis é substituível. Mudam conforme a idade da criança e o meio em que elas vivem. São os heróis da moda.

Mas, você já reparou que entre a Galinha Pintadinha e o Super Homem existe uma grande diferença?  Os Heróis também crescem, assim como a criança.

Esta busca por padrões a serem seguidos pode se transformar perigosamente quando: O meio em que vivem se aproxima da realidade e a transformação dos heróis transfere a atenção da criança de personagens fictícios para personagens reais.

Após os 13 anos, aproximadamente, os heróis podem ser tocados, acompanhados e são palpáveis. É quando a criança desenvolve por outras pessoas a sua volta a admiração e confunde essa nova situação com os antigos heróis bonzinhos de sua primeira infância:

— Meu amigo é meu herói.

Estes novos heróis são aqueles amigos que fazem com que a criança adquira novos hábitos, se vista da mesma forma que o seu preterido, fale como ele e, pense como ele.  Muitos destes heróis estão sentados ao lado na escola, são da turma, dividem o refrigerante, usam mochilas parecidas e vivem durante boa parte do dia com as crianças e, em alguns casos, até mais tempo que os próprios pais.

Muitos destes heróis são do Bem, mas alguns podem não ser.

Nós adultos, também admiramos alguns “heróis”, mas se um dos nossos heróis nos pede para voar, nós imediatamente questionamos a ordem. Será que nossos pequenos agiriam assim?

Pois então, usando o seu Super Poder Especial, que se traduz em confiança, didática e o carinho, ensine a seus filhos a diferenciarem os heróis do Bem e os outros, e para isso é necessário, assim como você enxerga, que a criança consiga ver as ações do herói e as consequências que possam surgir destas ações. Mais ou menos, é mostrar para a criança que uma atitude ou um ato irá ter um resultado positivo ou negativo e que na maioria dos casos, não tem retorno. A criança precisa conhecer a diferença entre uma esmeralda e a kliptonita.

Como você faz isso? Use exemplos reais e conhecidos não só por você, mas também pela criança. Estes exemplos estão disponíveis na sua história familiar, na vida de seus antepassados e no modo como eles agiram e nos resultados conseguidos. Você sabe que o açúcar é gostoso, pois já conhece o sabor do doce.

Em todas as famílias existem casos de muitos heróis. Na minha família, por exemplo, existem muitos. Foram pessoas que vivenciaram guerras, dificuldades financeiras, doenças e que as atitudes, certas ou erradas, trouxeram resultados positivos ou negativos.

A genealogia permite isso, pois sabendo sobre os antepassados, conhecendo a história em detalhes, qualquer um, sem usar o Super Poder Especial vai conseguir mostrar para uma criança uma quantidade de exemplos que poderão nortear uma vida.

Ao aproximar uma criança dos Heróis Familiares, aumenta a chance da criança em isolar alguns heróis falsificados ou heróis de papel, como são conhecidos.

Ao descobrir ela mesma, no seio da família a quantidade de heróis, a criança, terá exemplos muito mais palpáveis que em outros lugares.

Por incrível que pareça, nossos antepassados já usavam esta técnica, mesmo sem saberem, nos contando histórias dos antepassados e que nós ainda guardamos na memória e fazem uma incrível diferença na hora de decidir voar ou não voar.

Quem já não ouviu a vovó contando sobre as qualidades de alguém da sua árvore genealógica, da forma como ela era ou como agia e sempre finalizava com alguma orientação do tipo assim:

— Era um exemplo de pessoa.

Deixe a criança decidir os exemplos que ela encontrar, discuta e oriente quem sabe você não estará criando ai um Indiana Jones ou uma Lara Croft da Genealogia.

Sua família tem muitos heróis.

Até o próximo encontro.

Walter Olivas, MyHeritage.com Brasil e Portugal

Trackback

walterolivas

Walter Olivas - Country Manager de MyHeritage para o Brasil e Portugal - Marketing Team, blogueiro, designer, publicitário, genealogista, pai de 4 filhos e avô de plantão de 2 netos e 6 sobrinhos-netos. Redator do blog.myheritage.com.br

Comente